Recife amanheceu com as 37 estações do Metrô paralisadas devido à greve dos metroviários, impactando diretamente a rotina de aproximadamente 170 mil passageiros que dependem do sistema diariamente. A paralisação, que teve início nesta segunda-feira (3), forçou a população a buscar alternativas de transporte na Região Metropolitana.
A decisão da greve, por tempo indeterminado, foi tomada pelo Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro) em assembleia realizada na última quinta-feira (30). A categoria reivindica investimentos urgentes para a manutenção e modernização da frota, além da melhoria das condições de trabalho. Segundo o sindicato, a situação atual das composições e estações é precária.
A suspensão repentina do serviço pegou muitos usuários de surpresa. Passageiros relataram dificuldades para chegar aos seus destinos, necessitando recorrer a aplicativos de transporte ou enfrentar terminais de ônibus superlotados. No Terminal Integrado Joana Bezerra, muitos passageiros se viram obrigados a buscar alternativas para não perder seus compromissos.
Para minimizar o impacto da greve, o Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM) implementou um esquema especial de reforço na frota de ônibus. Foram ativadas três linhas emergenciais, com o objetivo de atender as áreas mais afetadas pela paralisação do metrô: 238-TI Jaboatão/TI Barro, 858-TI Joana Bezerra/TI Afogados/TI Barro e 2481-TI Camaragibe/TI TIP. Ao todo, 80 ônibus extras foram adicionados à operação de 15 linhas que circulam paralelamente às linhas Centro e Sul do Metrô do Recife. O CTM informou que equipes de campo acompanharão a operação de contingência e farão ajustes conforme a necessidade.
A greve ocorre em um momento de crescente insatisfação com o sistema metroviário do Recife. Recentemente, o Ramal Camaragibe ficou inoperante por cinco dias devido a um incêndio em um trem próximo à Estação Alto do Céu. O incidente, que danificou três vagões, obrigou os passageiros a caminhar pelos trilhos. Este não foi o único incidente envolvendo fogo nos trens do Metrô do Recife, com um caso similar registrado em junho, na Estação Cavaleiro.
Além dos problemas de infraestrutura, os metroviários também protestam contra a privatização do sistema, autorizada pelo governo federal. Em agosto, o Sindmetro realizou uma paralisação de 24 horas em oposição à medida. A privatização do Metrô do Recife foi anunciada em maio, com previsão de leilão do serviço à iniciativa privada até 2026 e início da nova gestão em 2027.
Fonte: g1.globo.com