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Um grupo de motociclistas realizou um protesto na tarde desta quarta-feira contra a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, que resultou em mais de 120 mortes. A manifestação, acompanhada por policiais do Batalhão Tático Móvel da Polícia Militar, seguiu em direção ao Palácio Guanabara, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

A operação, que visava o combate ao Comando Vermelho, é considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro, com o governo do estado reportando a morte de quatro policiais e 117 suspeitos. Na manhã desta quarta-feira, moradores do Complexo da Penha encontraram pelo menos 74 corpos na área de mata da região.

O governo havia divulgado um balanço na terça-feira com 64 mortos, incluindo quatro policiais civis e militares. No entanto, na manhã de quarta-feira, o governador Cláudio Castro confirmou oficialmente 58 mortos, sendo 54 criminosos, sem esclarecer a mudança no número. Em coletiva, a cúpula da segurança do Rio atualizou os números: quatro policiais e 117 suspeitos mortos.

Moradores relataram ter encontrado 74 corpos na mata, que foram levados para uma praça na Penha. O Secretário da Polícia Civil mencionou “63 corpos achados na mata”. Uma perícia será realizada para determinar se há relação entre essas mortes e a operação. Além disso, foram presas 113 pessoas, 33 delas de outros estados, como Amazonas, Ceará, Pará e Pernambuco.

De acordo com informações apuradas, os corpos, todos de homens, estavam na área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde ocorreram intensos confrontos entre as forças de segurança e traficantes.

O governador Cláudio Castro classificou a ação como um “sucesso”, considerando apenas os quatro policiais mortos como “vítimas”. Ele não comentou sobre os corpos encontrados pelos moradores na mata, afirmando que a contagem oficial começa quando os corpos chegam ao Instituto Médico-Legal (IML) e que a Polícia Civil é responsável por identificar as vítimas.

O Secretário da Polícia Militar, Marcelo de Menezes, explicou a estratégia das forças de segurança, que consistiu na criação de um “Muro do Bope”, onde policiais avançaram pela Serra da Misericórdia para cercar os criminosos e direcioná-los para a mata, onde outras equipes do Batalhão de Operações Especiais já estavam posicionadas.

O Secretário de Segurança Pública, Victor Santos, considerou o “dano colateral” como “muito pequeno”, afirmando que apenas quatro pessoas inocentes morreram durante a ação, que envolveu 2,5 mil policiais civis e militares e foi classificada pela cúpula da segurança como de alto risco.

O ativista Raull Santiago, que ajudou a retirar os corpos da mata, descreveu a situação como algo inédito em 36 anos vivendo na favela, destacando a brutalidade e violência em um nível desconhecido. O objetivo de levar os corpos para a praça era facilitar o reconhecimento por parentes, que retiraram as camisas das vítimas para expor tatuagens, cicatrizes e marcas de nascença. Muitos dos mortos apresentavam ferimentos a bala, alguns com o rosto desfigurado, e um havia sido decapitado.

A Polícia Civil informou que o atendimento às famílias para o reconhecimento oficial será realizado no prédio do Detran, ao lado do IML do Centro do Rio, e o acesso ao IML está restrito à Polícia Civil e ao Ministério Público, enquanto as demais necropsias serão realizadas no IML de Niterói. Moradores também transportaram seis corpos em uma Kombi para o Hospital Estadual Getúlio Vargas.

Fonte: g1.globo.com

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