© Tomaz Silva/Agência Brasil
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A diretora-executiva da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck, classificou como “desastrosa” a operação policial Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. A ação resultou na morte de 119 pessoas, conforme o balanço oficial mais recente.

Werneck questiona a alegação de sucesso da operação, expressando preocupação com o grande número de mortes. “As autoridades da segurança pública dizem que foi uma operação planejada. [Mas] uma operação com tanta morte?”, indagou durante uma entrevista.

A diretora da Anistia Internacional destacou que os policiais presentes na operação não demonstraram “controle do ambiente” e falharam em cumprir o “dever de proteção da vida e do patrimônio”. “É preciso dizer que essa operação não é um sucesso. É desastrosa. Qualquer pessoa sabe que assassinato e sucesso não entram na mesma frase. Assassinato de centena de pessoas. Nós recebemos notícias de milhares de pessoas traumatizadas e que estão sofrendo”, afirmou.

Werneck considera a operação um “retumbante fracasso” para o Estado e para a sociedade. “Não apenas para o governador [Cláudio Castro] e para os seus assessores da área de segurança. O fracasso é para todas e todos nós, infelizmente”, lamentou.

A avaliação da diretora da Anistia Internacional diverge da declaração do governador Castro, que considerou a operação positiva, afirmando que ela representou “um duro golpe na criminalidade”.

Para Werneck, a fala do governador do Rio de Janeiro “estimula toda ação fora da lei”, e tanto ele quanto a equipe estadual de segurança pública sabem que a operação foi ilegal. “Um desrespeito ao direito internacional, aos diretos humanos, à Constituição e toda legislação brasileira”, acrescentou.

A Anistia Internacional, em conjunto com outras entidades civis e instituições, está coletando relatos sobre a operação. Segundo Werneck, as informações revelam “descalabros”. A organização espera que “o governador apresente as provas da correição da operação, do suposto planejamento da ação”.

A Anistia Internacional promete prestar auxílio às pessoas afetadas pela operação e atuar para que haja reparação judicial e responsabilização das autoridades. “A gente só espera que as instituições brasileiras cumpram o seu dever. O mundo inteiro está vendo”, concluiu Werneck.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br