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Uma questão de matemática na primeira fase do vestibular da Fuvest 2026, aplicada neste domingo, tem gerado controvérsia entre professores de cursinhos preparatórios. A alegação é de que a questão número 3, da versão V1 da prova, apresenta um enunciado com cinco afirmações, das quais nenhuma é considerada inequivocamente correta.

Segundo Giuseppe Nobilioni, coordenador de matemática de um cursinho, nenhuma das alternativas apresentadas garante a resposta correta. Ele explica que cada uma das opções pode ser verdadeira ou falsa, dependendo da interpretação, tornando impossível selecionar uma resposta definitiva.

Victor Pompeo, professor de matemática de outro curso preparatório, compartilha da mesma opinião. Ele detalha que a questão em questão aborda uma eleição para um conselho composto por cinco membros, com sete candidatos e 35 eleitores. O enunciado menciona um candidato específico, Aleph, que perde em todos os critérios de desempate e precisa analisar quantos votos são necessários para garantir sua eleição. O ponto crucial da discordância reside na palavra “garantir”, que exige uma certeza da eleição de Aleph.

Pompeo argumenta que, ao analisar diferentes cenários eleitorais para determinar a quantidade de votos necessária para garantir a eleição de Aleph, nenhuma das alternativas oferece uma análise precisa. Ele exemplifica que a alternativa C, apontada como correta, afirma que, se dois eleitores não comparecerem, Aleph precisaria de cinco votos para ser eleito. No entanto, o professor demonstra que Aleph poderia se eleger com apenas um voto, dependendo da distribuição dos demais votos entre os outros candidatos. Ele afirma que todas as outras alternativas apresentam problemas similares, invalidando a questão.

A Fuvest informou que só se manifestará sobre a questão caso algum candidato apresente um recurso, que será avaliado pela banca examinadora.

Apesar da controvérsia em relação à questão de matemática, a prova foi elogiada por professores de cursinhos pré-vestibulares como trabalhosa e inteligente, com destaque para a interdisciplinaridade das questões.

Nesta edição, 111.480 candidatos concorrem a 8.147 vagas. A taxa de abstenção registrada foi de 9,17%.

A prova deste ano apresentou um conteúdo mais voltado a questões ambientais, sociais e econômicas contemporâneas, abordando temas relevantes nas redes sociais e geopolítica.

A coordenadora pedagógica de um cursinho destacou a prova como “impecável, inteligente e trabalhosa”, ressaltando o uso de questões interdisciplinares que integram geografia, sociologia, filosofia e literatura.

A contextualização foi apontada como um ponto alto da prova, com situações reais e aplicações práticas dos conceitos, valorizando o domínio teórico e a capacidade de relacionar diferentes áreas do conhecimento. A interdisciplinaridade também foi enfatizada, exigindo a articulação de temas distintos para chegar às respostas.

Segundo a organização do vestibular, das obras literárias de leitura obrigatória, apenas “Nebulosas”, de Narcisa Amália, não foi utilizada nas perguntas da primeira fase.

Fonte: g1.globo.com

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