G1
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A ex-primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, foi condenada à morte nesta segunda-feira por crimes contra a humanidade, em um julgamento que se seguiu à sua fuga do país. Hasina deixou o cargo há mais de um ano, em meio a uma escalada de protestos antigovernamentais que resultaram em aproximadamente 300 mortes.

Após 15 anos no poder, Hasina, considerada uma das mulheres mais influentes da Ásia, deixou o país. Em consequência, as Forças Armadas de Bangladesh anunciaram a formação de um governo interino, sob controle militar, com o objetivo de restabelecer a ordem e encontrar uma solução para a crise política e social.

Bangladesh, um dos países mais populosos do mundo, tem sido palco de intensos protestos estudantis. O foco da revolta é o sistema de cotas governamental, que reserva um terço dos empregos públicos para descendentes de veteranos da guerra de independência contra o Paquistão, em 1971. A política de cotas, que havia sido abolida em 2018, foi restabelecida em junho deste ano, reacendendo a insatisfação popular.

Nesta segunda-feira, a situação se intensificou com a invasão da residência oficial da primeira-ministra, na capital Daca, por milhares de manifestantes. Em resposta, as autoridades bloquearam o acesso à internet em todo o país, após um fim de semana marcado por manifestações massivas e confrontos violentos. Posteriormente, o aeroporto internacional de Daca foi fechado, permanecendo inoperante até o final da tarde, conforme informações das Forças Armadas.

Informações indicam que Hasina buscou refúgio na cidade de Agartala, no nordeste da Índia, onde espera receber proteção do governo indiano.

O chefe das Forças Armadas, Waker-uz-Zaman, declarou que o governo interino permanecerá em vigor até que uma solução para a crise seja encontrada.

Os protestos, liderados por estudantes, tiveram início de forma pacífica em julho, mas escalaram para violência após confrontos com a polícia e grupos pró-governo. Analistas apontam que a crise é alimentada pelas difíceis condições econômicas do país, incluindo alta inflação, aumento do desemprego e esgotamento das reservas estrangeiras.

Em janeiro, Sheikh Hasina já havia enfrentado uma onda de protestos após sua reeleição em um pleito contestado pela oposição, que alegou fraude.

Fonte: g1.globo.com