G1
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“Estou sem chão. Não sei o que vou fazer”, desabafa Sandra Souza, cozinheira e moradora da Rua Francisco Bueno, no Tatuapé, após ter sua casa interditada em decorrência da forte explosão de um depósito de fogos de artifício na noite de quinta-feira. A explosão, que destruiu residências na Zona Leste de São Paulo, transformou a vida de Sandra e de muitos outros moradores em um cenário de incertezas.

Sandra, que trabalhava em casa preparando marmitas, viu sua principal fonte de renda desaparecer com a interdição do imóvel. “Eu nem sei o que vou fazer hoje. Vou ligar para as pessoas, meus clientes já viram o que aconteceu. Não foi só eu. Não tenho dinheiro, não tenho nada. Não sei o que fazer”, lamenta, relatando que precisou pegar roupas emprestadas, pois deixou sua casa às pressas, levando apenas o essencial.

Relembrando o momento da explosão, Sandra descreve a cena como “um filme de terror”. “Foi uma loucura, a coisa mais feia do mundo. Eu tava esquentando a janta e quando olhei e falei: ‘será que é um helicóptero caindo aqui?’. Vi meu filho menor gritar: ‘mãe, mãe, mãe: cadê o Thor, cadê o Luke? Eu procurando [os cachorrinhos] e as coisas caindo do teto. A gente correu aqui pra fora. Explodindo tudo aqui fora. Parecia coisa de cinema”. Apesar do trauma, Sandra demonstra alívio por estar viva, mas ainda busca por sua gata, Mia, que desapareceu durante o caos.

Além de Sandra, outras famílias da Rua Francisco Bueno enfrentam a dor do desaparecimento de seus animais de estimação. Moradores relatam que não tinham conhecimento de que o imóvel onde ocorreu a explosão funcionava como um depósito clandestino de fogos de artifício. Segundo eles, a casa havia sido alugada há cerca de três meses e, embora houvesse movimentação de caixas, ninguém suspeitava do conteúdo.

A explosão, além de deixar um rastro de destruição, feriu ao menos dez pessoas e interditou 21 imóveis vizinhos, segundo a Defesa Civil municipal. Moradores foram abrigados em casas de parentes. Uma moradora de um prédio próximo relatou o impacto da explosão. “Vimos um clarão muito forte, e prateleiras foram quebradas. A sala ficou uma destruição. Corremos para a janela e vimos como se fosse uma noite de Ano Novo. Fogo começou a pegar nas casas vizinhas ao local”, disse.

Ainda não há informações precisas sobre as causas da explosão. O caso será investigado pelas autoridades competentes. O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 19h45.

Fonte: g1.globo.com