O prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, enfrenta sérias acusações da Polícia Federal, que o aponta como o líder de uma organização criminosa envolvida em um esquema de corrupção que desviou recursos públicos por meio de contratos na área da Saúde. Essa acusação foi o principal motivo para o seu afastamento do cargo por 180 dias, durante a Operação Copia e Cola, que investiga suspeitas de corrupção e desvio de verbas na cidade.
Rodrigo Manga, filiado ao Republicanos, ganhou notoriedade nacional como o “prefeito tiktoker” devido à sua estratégia de comunicação nas redes sociais, investindo em vídeos com tom de humor para divulgar obras e ações do governo municipal.
Antes de assumir a prefeitura em 2021, após vencer as eleições de 2020, Manga já havia exercido dois mandatos como vereador. Em 2024, ele foi reeleito no primeiro turno, obtendo mais de 263 mil votos. Apesar de o prefeito ter afirmado nas redes sociais que obteve a “maior votação para prefeito da história de Sorocaba”, a votação proporcional de Vitor Lippi em 2008 superou a sua.
Antes de entrar na política, Manga trabalhou como vendedor de veículos, tornando-se conhecido na mídia local ao anunciar carros em programas de televisão. Ele também possui formação em marketing.
A defesa do prefeito alega que a investigação da Polícia Federal é “completamente nula” e resultado de “perseguição política”, argumentando que não há provas concretas que liguem Manga ao esquema investigado. Além disso, a defesa questiona a contemporaneidade dos fatos investigados, que remontam a 2021, e considera o afastamento do prefeito uma medida “temerária”.
Desde o início do ano, os vídeos de Manga nas redes sociais, divulgando obras da gestão, ganharam grande alcance, impulsionados pelo bordão “vem morar em Sorocaba, vamos fazer a melhor cidade do Brasil para se viver”. Especialistas apontam que a estratégia do prefeito utiliza técnicas de marketing e, em alguns casos, desinformação, visando ao reconhecimento.
A investigação apura ainda o uso de servidores comissionados, com salários de até R$ 19 mil, para produzir vídeos para as redes sociais do prefeito. O Ministério Público também investiga possíveis informações falsas nas publicações, incluindo a divulgação de uma fórmula de medicamento para um programa de emagrecimento. Os conteúdos são postados apenas nos perfis pessoais de Manga, não nas redes oficiais da Prefeitura.
Em 2023, o Ministério Público de São Paulo já havia pedido o bloqueio de bens de Manga, do secretário de Educação e de um empresário, devido a suspeitas de superfaturamento na compra de kits de robótica em 2021. A investigação também apura a compra de um prédio para a Secretaria de Educação, com suspeita de superfaturamento de mais de R$ 10 milhões. Neste caso, houve condenação em maio de 2024, mas Manga não foi investigado neste processo.
A Operação Copia e Cola, que levou ao afastamento de Manga, investiga desvios de recursos públicos na área da Saúde por meio de uma Organização Social (OS). Na segunda fase da operação, além do afastamento do prefeito, foram presas duas pessoas, incluindo Marco Silva Mott, amigo de Manga e suspeito de ser lobista.
Fonte: g1.globo.com