© Joedson Alves/Agencia Brasil
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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deu início às sustentações das defesas dos dez réus do Núcleo 3, acusados de envolvimento em uma trama golpista. As investigações apontam para um plano liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro com o objetivo de reverter o resultado das eleições presidenciais de 2022.

O Núcleo 3 é composto por nove militares do Exército e um policial federal, que agora enfrentam acusações graves, incluindo organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, além de deterioração de patrimônio tombado.

Entre os réus, encontram-se o coronel Bernardo Romão Correa Netto, o general Estevam Theophilo, o coronel Fabrício Moreira de Bastos, o tenente-coronel Hélio Ferreira Lima, o coronel Márcio Nunes de Resende Júnior, o tenente-coronel Rafael Martins de Oliveira, o tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo, o tenente-coronel Ronald Ferreira de Araújo Júnior, o tenente-coronel Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros e o policial federal Wladimir Matos Soares.

Os acusados são conhecidos como “kids pretos”, militares que fizeram parte do grupamento de forças especiais do Exército. A Procuradoria-Geral da República (PGR) os acusa de planejar ações táticas para implementar o plano golpista, incluindo o sequestro do ministro do STF Alexandre de Moraes.

Durante as sustentações, a defesa do general da reserva do Exército Estevam Theophilo solicitou a absolvição do militar, argumentando que ele não teve qualquer ligação com os eventos de 8 de janeiro de 2023, nem com o suposto plano de utilizar os “kids pretos” para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As investigações indicam que Theóphilo se encontrou três vezes com Bolsonaro no final de 2022, encontros nos quais, segundo a Polícia Federal, foram discutidas a utilização de operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) ou a decretação de Estado de Defesa ou de sítio no país. Na época, Estevam Theóphilo era responsável pelo Comando de Operações Terrestres (Coter), considerada a tropa de elite do Exército.

O advogado Diego Rodrigues Musy, responsável pela defesa, afirmou que os encontros de Theófilo com Bolsonaro ocorreram com o conhecimento do então comandante do Exército, Freire Gomes. “Essa reunião nunca teve algum tipo de excepcionalidade no convite. O general Freire Gomes relatou que, assim como Theóphilo, vários outros generais foram ao Alvorada durante o ano [2022]”, declarou o advogado.

O defensor também enfatizou que o general não teve contato com outros acusados na trama golpista, nem participou de movimentos de resistência contra as urnas ou incitação contra os poderes. “Não há nos autos nenhuma mensagem, nenhuma prova ou comunicação. O general jamais esteve constando em nenhum documento desse processo e em nenhum dos atos executórios mencionados”, acrescentou.

O julgamento prossegue com as sustentações dos demais réus. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já solicitou a condenação dos acusados.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br