© foto: arquivo pessoal
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Jovens do Brasil, França e África uniram forças em Salvador para defender a sustentabilidade de seus territórios, tanto rurais quanto urbanos. O encontro ocorreu na região do Polo de Economia Criativa e teve como foco a urgência climática.

Durante a sessão plenária “Eu Defendo Minha Cidade”, líderes ambientais, políticos e membros da sociedade civil trocaram experiências sobre iniciativas sustentáveis. Um dos destaques foi a participação da agricultora Ana Mirela Silva, de 19 anos, que compartilhou os desafios de promover educação ambiental na zona rural de Matinada, Bahia.

Ana Mirela descreveu seu trabalho como “extensionismo rural”, disseminando o conhecimento sobre agricultura orgânica entre crianças e jovens. Ela ensina a criar hortas orgânicas e a utilizar a hidroponia, uma tecnologia social sustentável para produção de alimentos em espaços compactados ou áreas ribeirinhas.

Ao se apresentar para líderes da África e da França, Ana Mirela se autodenominou “roceira, com muito orgulho”. Ela explicou que pesquisou o termo e percebeu que ele se encaixava em pessoas com aptidão para o campo. “Sou preta, sou pobre, sou roceira, moro no interior, e eu honro minhas raízes”, afirmou.

Ana Mirela defende o papel das novas gerações na mudança da consciência ambiental, especialmente para influenciar seus familiares. Ela ressaltou que, diferente de seus pais, teve a oportunidade de estudar, o que faz a diferença em sua abordagem. Durante o evento, ela abordou temas como segurança alimentar, resiliência climática e inclusão social.

O Festival Nosso Futuro também contou com a presença de Seydina Samb, prefeito da comunidade de Yolf, no Senegal. Ele enfatizou a importância de incluir os jovens nas discussões sobre o futuro das cidades e defendeu a necessidade de priorizar a transição ecológica, como o uso de energias renováveis. Samb relatou que, em Yoff, as escolas estão sendo equipadas com energia eólica e que sua gestão prioriza levar o verde para todos os espaços.

Céline Hervieu, deputada de Paris, também participou do evento e destacou a importância da educação de crianças e jovens como motor de transformação da sociedade. Filha de mãe baiana e pai francês, Hervieu ressaltou o exemplo de representatividade que o Brasil tem dado, mencionando a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, como um incentivo para que meninas e mulheres sonhem e alcancem espaços de poder.

O Festival Nosso Futuro, que faz parte das comemorações dos 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e França, segue até o próximo sábado, com eventos culturais, gastronômicos, exposições e oficinas com ativistas, artistas e empreendedores engajados na construção de territórios mais justos e sustentáveis.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br