O Brasil enfrenta um surto de intoxicação por metanol, com o Ministério da Saúde confirmando 58 casos em seis estados até o momento. Outras 50 notificações seguem sob investigação, enquanto 635 ocorrências foram descartadas. São Paulo é o estado mais afetado, concentrando 44 casos confirmados. O Paraná registra seis casos, Pernambuco contabiliza cinco, e Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Tocantins apresentam um caso cada.
Entre os casos ainda em análise, São Paulo também lidera, com 14 registros. Pernambuco acompanha com 19 investigações, seguido por Rio de Janeiro (1), Piauí (4), Mato Grosso (4), Mato Grosso do Sul (1), Rio Grande do Norte (1), Paraná (4), Minas Gerais (1) e Tocantins (1).
Até o momento, foram confirmadas nove mortes em São Paulo, três em Pernambuco e três no Paraná. Nove óbitos adicionais estão sob investigação: quatro em Pernambuco, dois no Paraná, um em São Paulo, um no Mato Grosso do Sul e um em Minas Gerais.
Diante da situação, o Ministério da Saúde e a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) emitiram orientações para profissionais de saúde sobre a identificação e o tratamento de casos de intoxicação por metanol. As recomendações incluem o reconhecimento precoce dos sintomas, a administração de etanol (ou fomepizol) como antídoto, o encaminhamento de casos graves para unidades de terapia intensiva (UTI) e a notificação imediata às autoridades de saúde.
O Ministério da Saúde anunciou medidas para reforçar o apoio ao estado de São Paulo na confirmação de casos suspeitos. Uma das ações é apoiar o estado a agilizar a confirmação ou o descarte dos casos. O governo montou uma sala de situação para acompanhar a evolução dos casos e definir estratégias de resposta.
Para acelerar os diagnósticos, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) da Unicamp ampliará sua capacidade de análises e integrará a rede de laboratórios de referência, podendo realizar até 190 exames por dia. A Fiocruz também disponibilizará seu laboratório para auxiliar os estados. O governo espera construir uma estrutura permanente para análise de casos de intoxicação química.
Além disso, o fomepizol, medicamento que bloqueia a ação tóxica do metanol no organismo, está sendo importado dos Estados Unidos e será distribuído para centros de toxicologia em todo o país. Cada paciente adulto pode necessitar de duas a quatro ampolas do remédio.
Fonte: g1.globo.com