G1
Compartilhe essa matéria

O presidente Lula criticou as ações dos Estados Unidos direcionadas a embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico. Em viagem pela Ásia, o presidente também sentiu necessidade de se retratar após uma declaração controversa sobre traficantes de drogas serem “vítimas dos usuários”.

A jornada do presidente começou em Jacarta, Indonésia, com uma reunião com o secretário-geral da ASEAN (Associação dos Países do Sudeste Asiático) na sede do bloco. Ao sair, Lula comentou sobre a expectativa do encontro com Donald Trump, agendado para o domingo (26).

“Tenho toda a disposição de defender os interesses do Brasil e mostrar que houve equívoco nas taxações ao Brasil. Eu quero provar isso com números, de que houve equívoco das taxações. E, também, eu quero discutir um pouco a punição que foi dada a ministros brasileiros da Suprema Corte, que não têm nenhuma explicação, nenhum entendimento”, afirmou o presidente.

As tratativas para o encontro ocorrem desde o final de setembro, após uma breve saudação entre Trump e Lula em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU. O Brasil busca negociar o fim das sobretaxas de 40% sobre a venda de produtos brasileiros aos Estados Unidos, em vigor desde agosto. Na época, o então presidente Trump relacionou o aumento das tarifas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo STF, impondo sanções a autoridades brasileiras com a Lei Magnitsky e suspendendo vistos para entrada nos Estados Unidos.

Lula também condenou as recentes ameaças de Donald Trump de invadir países para combater o narcotráfico. “Você não fala que vai matar as pessoas. Você tem que prender as pessoas, julgar as pessoas, saber se a pessoa estava ou não traficando. Aí você pune a pessoa de acordo com a lei. Você não pode simplesmente dizer que vai invadir, que vai combater o narcotráfico na terra dos outros, sem levar em conta a Constituição dos outros países, a autodeterminação dos povos, sem levar em conta a soberania territorial de cada país. Porque, se o mundo ficar uma terra sem lei, sem respeitabilidade, vai ficar muito difícil viver”.

Ao abordar o tema do combate às drogas, o presidente estabeleceu uma relação entre usuários e traficantes, argumentando que os usuários são responsáveis pelos traficantes, que, por sua vez, seriam vítimas dos usuários. “Toda vez que a gente fala de combater drogas, possivelmente fosse mais fácil a gente combater os nossos viciados internamente. Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também. Ou seja, você tem uma troca de gente que vende porque tem gente que compra, de gente como que tem gente que vende. Então, é preciso que a gente tenha mais cuidado no combate à droga”.

Posteriormente, em uma publicação em uma rede social, Lula se retratou: “Fiz uma frase mal colocada e quero dizer que meu posicionamento é muito claro contra os traficantes e o crime organizado. Mais importante do que as palavras são as ações que o meu governo vem realizando, como é o caso da maior operação da história contra o crime organizado, o encaminhamento ao Congresso da PEC da Segurança Pública e os recordes na apreensão de drogas no país. Continuaremos firmes no enfrentamento ao tráfico de drogas e ao crime organizado”.

No início da tarde, o presidente Lula prosseguiu com sua viagem pela Ásia, partindo para a Malásia, onde ele e Trump participarão da cúpula de países do Sudeste Asiático e realizarão reuniões paralelas com outros líderes mundiais.

Fonte: g1.globo.com