G1
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Em meio a uma viagem pela Ásia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou confiança em uma reunião com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Malásia. A expectativa é que o encontro ocorra em Kuala Lumpur, marcando um momento crucial nas relações bilaterais.

Lula, que está cumprindo uma agenda que inclui a Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), enfatizou que a reunião com Trump é aguardada há algum tempo. “Sempre disse que, quando Trump quisesse conversar, o Brasil estaria à disposição”, declarou o presidente.

Ainda que nenhum assunto esteja vetado para discussão, Lula pretende abordar temas como comércio e as sanções impostas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente manifestou o desejo de demonstrar, com dados concretos, o equívoco nas taxações implementadas pelos Estados Unidos.

“Tenho todo interesse nessa reunião, mostrar que houve equívoco nas taxações, mostrar com números”, afirmou Lula, reiterando a importância do contato pessoal para resolver divergências. “Relação humana é química”, disse, contrapondo encontros presenciais à frieza de interações digitais.

O presidente acredita que o diálogo pode pavimentar o caminho para a normalização das relações entre os dois países. “Convencido que vai ser bom para o Brasil e para os Estados Unidos, vamos voltar à nossa normalidade”, declarou Lula.

Em Jacarta, na Indonésia, Lula voltou a defender o comércio com moedas próprias, como alternativa ao dólar, um tema sensível que estará em discussão com Trump. A pauta, segundo informações, é um ponto de atrito, com o ex-presidente americano desejando que o Brasil abandone a ideia de substituir o dólar em transações do BRICS.

O encontro, se confirmado, será o primeiro desde o aumento das tarifas americanas sobre produtos brasileiros. Lula argumenta que os Estados Unidos também estão sofrendo as consequências da taxação, com impactos nos preços da carne e do café. Ele questiona as acusações que serviram de justificativa para as tarifas, classificando-as como inverídicas. “Se não soubesse que há a possibilidade de acordo eu não participaria dessa reunião”, afirmou.

Os dois líderes vêm demonstrando sinais de aproximação desde setembro. Após um breve encontro na Assembleia da ONU, tiveram uma conversa telefônica mediada pelas diplomacias de ambos os países. O encontro entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, também sinaliza um degelo nas relações.

Apesar da expectativa de um acordo imediato, Lula reconhece que o processo é demorado e que as negociações serão conduzidas por Geraldo Alckmin, Fernando Haddad e Mauro Vieira. O presidente também mencionou o interesse de outros dez países em se aproximar do Brasil e reiterou o desejo de que o país se torne membro da ASEAN.

Caso Trump queira, Lula se mostrou disposto a discutir temas como o narcotráfico e os ataques à Venezuela. O presidente brasileiro criticou a postura de Trump em relação à política internacional, discordando de invasões a outros países sob a justificativa de combater o narcotráfico.

Sobre a COP30 e a perfuração da Petrobrás na Foz do Amazonas, Lula ressaltou que o Brasil deseja ser reconhecido como um país com forte potencial em energias renováveis e com combustíveis mais puros.

Fonte: g1.globo.com