Uma carta escrita por uma menina de 13 anos desencadeou a investigação que culminou na prisão do influenciador João Paulo Manoel, conhecido como Capitão Hunter, em São Paulo. O youtuber, com foco no universo Pokémon, é acusado de exploração sexual de crianças e estupro de vulnerável.
No relato manuscrito encaminhado ao Ministério Público, a adolescente detalhou como as conversas sobre Pokémon evoluíram para a troca de fotos íntimas e um comportamento considerado inadequado por parte do influenciador. “Falou para eu mostrar a parte íntima (bunda) e eu mostrei pensando que era brincadeira. Aí quando ele me mostrou a dele eu me assustei. Desliguei o celular e comecei a chorar”, escreveu a menina em sua carta.
A mãe da adolescente também formalizou sua indignação em uma carta ao MPRJ, relatando a dor ao tomar conhecimento dos fatos. “Ela me contou tudo o que ele fez com ela. Eu, como mãe e mulher, também me sinto violada.”
As autoridades policiais descreveram Hunter como um “abusador com elevado grau de periculosidade”. A Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav) do Rio de Janeiro está investigando a possibilidade de existirem outras vítimas. Durante a operação de prisão, os celulares e computadores do suspeito foram apreendidos.
Em mensagens trocadas com a vítima, que tinha 11 anos na época dos primeiros contatos, Capitão Hunter reconheceu ter ciência da menoridade da menina. “Isso não muda nada”, declarou ele em uma mensagem. A polícia descobriu que o celular utilizado para a comunicação com a vítima pertencia à esposa de João Paulo.
A investigação revelou que, por meio das mensagens, o influenciador exibiu suas partes íntimas diversas vezes, solicitou que a vítima mostrasse partes do seu corpo e expressou receio de ser descoberto. “Não confio em ninguém e tenho medo de ser exposto, porque alguém pode me prejudicar.” Em outra mensagem, ele instrui a menina a apagar as mensagens trocadas e pede que ela envie um print da tela após a ação. “Tipo é só ir nos 3 pontinhos lá em cima procurar limpar conversa. Aí vc limpa, tira print e me manda.”
O influenciador, que possuía mais de um milhão de seguidores em suas redes sociais, está sendo investigado pela Dcav por exploração sexual de crianças, tipificada como estupro de vulnerável, e produção de cenas pornográficas com adolescente. A prisão temporária foi decretada por um juiz da Vara Especializada em Crimes contra a criança e adolescente do Rio de Janeiro.
Segundo o relato da vítima, Hunter realizava videochamadas nas quais mostrava o pênis e pedia para que ela exibisse partes íntimas. “Amigos fazem isso, mostram a bunda um para o outro, isso são coisas de amigos e você é minha melhor amiga”, teria escrito ele.
No inquérito, a polícia descreve João Paulo como “um abusador com elevado grau de periculosidade, atraindo crianças e adolescentes por meio de um perfil mentiroso para que ganhe a confiança dos vulneráveis e passe a assediá-las e coagi-las à prática de atos libidinosos”. A delegada Maria Luiza Machado afirmou que o suspeito se apresentava como uma figura influente na internet, utilizando canais de comunicação com crianças e adolescentes por meio de atividades relacionadas ao universo Pokémon.
A polícia cumpriu mandados de busca e apreensão nos endereços ligados ao influenciador, e a Justiça autorizou a quebra de sigilo de dados. Os aparelhos eletrônicos apreendidos serão periciados.
Fonte: g1.globo.com