© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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A proposta de realizar cortes significativos nos gastos públicos no Brasil levanta preocupações entre economistas, que alertam sobre os possíveis impactos negativos nas áreas sociais. Especialistas indicam que, se o governo decidir reduzir o orçamento em valores expressivos, como os R$ 200 bilhões debatidos nas campanhas eleitorais, os programas sociais provavelmente serão os mais afetados.

Análise das Despesas Públicas

De acordo com o professor Pedro Paulo Zahluth Bastos, da Unicamp, cerca de 90% das despesas primárias do governo federal são obrigatórias, englobando Previdência, Benefício de Prestação Continuada (BPC), salários de pessoal, além de programas como o Bolsa Família. Dessa forma, as despesas discricionárias, aquelas que podem ser ajustadas conforme a vontade do governo, totalizam apenas um pouco mais de R$ 200 bilhões.

Consequências de um Corte Abrangente

Bastos enfatiza que, ao se considerar um corte de R$ 200 bilhões que proteja os benefícios sociais, não restaria orçamento para outras áreas. Ele destaca que, caso as despesas discricionárias sejam cortadas, os investimentos em setores essenciais, como saúde e educação, também seriam severamente prejudicados. Portanto, a opção de preservar os benefícios sociais enquanto realiza cortes significativos é vista como inviável.

Efeito Multiplicador dos Gastos Públicos

A professora Maria Lourdes Mollo, da Universidade de Brasília, complementa a análise ao afirmar que os cortes nos gastos públicos não apenas ameaçam programas sociais, mas também têm um efeito multiplicador negativo na economia. Segundo ela, a redução dos gastos pode resultar em uma diminuição da renda e do emprego, impactando ainda mais a arrecadação do governo, o que prejudica setores como educação e saúde.

Perspectivas de Ajuste Fiscal

O debate sobre cortes de gastos é acompanhado por diferentes propostas dos candidatos à presidência. Flávio Bolsonaro, por exemplo, defende um ajuste fiscal robusto, inspirado em medidas tomadas na Argentina, mas garante que não cortará benefícios sociais essenciais. Por outro lado, Luiz Inácio Lula da Silva aponta que ajustes fiscais serão necessários, mas que ocorrerão de maneira gradual durante um possível novo mandato.

Cenário Econômico e Projeções Futuras

Em uma entrevista recente, o ministro do Planejamento Bruno Moretti mencionou a meta de transformar um déficit de 0,5% do PIB em um superávit de 1,5% até 2030. Essa meta implica em desacelerar as despesas obrigatórias, buscando equilibrar os direitos dos cidadãos com a necessidade de manter as contas públicas em ordem.

Desafios e Considerações Finais

O debate sobre a eficiência do gasto público também inclui propostas de cortar privilégios, como os supersalários no funcionalismo público. No entanto, especialistas indicam que esses cortes, embora importantes, não são suficientes para gerar as economias necessárias, sendo que o foco deveria ser em como esses cortes impactam diretamente a população.

Diante desse cenário, a única maneira viável de alcançar cortes significativos sem comprometer os benefícios sociais é através de mudanças nos cálculos dos reajustes dos benefícios ou cortes nas despesas obrigatórias. Tais medidas poderiam resultar em perdas para aposentados e beneficiários de programas sociais, afetando diretamente a qualidade de vida de muitos cidadãos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br