No dia 14 de setembro de 1981, a jornalista Mara Régia di Perna estava prestes a realizar um sonho que mudaria a história da comunicação voltada para as mulheres no Brasil. À frente do programa Viva Maria, da Rádio Nacional, ela estreou como âncora em um projeto que se tornaria um importante canal de informação e defesa dos direitos sociais femininos.
A Origem do Viva Maria
Mara Régia recorda com emoção sua estreia: "Eu estava em uma tremedeira e rouca", admite, ciente da grande responsabilidade que assumia. Ao longo de seus 45 anos de história, o programa veiculou mais de 8 mil edições, solidificando-se como um marco de referência internacional em cidadania, gênero e direitos humanos. Recentemente, a Rádio Nacional lançou uma série de 14 podcasts celebrando a trajetória do Viva Maria.
Impacto Acadêmico e Social
O impacto do programa não passou despercebido no meio acadêmico, com pelo menos 30 estudos dedicados ao Viva Maria. A relevância da iniciativa se intensificou em um período crucial para a cidadania feminina no Brasil, especialmente com a promulgação da Constituição de 1988. Mara foi uma das vozes que contribuíram para a redação da Carta das Mulheres aos Constituintes, um documento emblemático que expressou as demandas dos movimentos feministas.
Temas Abordados e Ouvintes Engajados
Os assuntos discutidos no Viva Maria variavam de mercado de trabalho e saúde a educação, refletindo as preocupações das ouvintes. O programa se tornou um espaço onde as mulheres podiam expressar suas reivindicações, com participação ativa por meio de telefonemas e cartas. Mara destaca que a luta contra a violência de gênero ganhou destaque, inspirada em sua própria história familiar, marcada pela violência doméstica.
Desafios e Conquistas
A atuação do Viva Maria foi crucial para a criação da primeira delegacia especializada no atendimento a mulheres em Brasília, em 1986. Contudo, essa luta não veio sem riscos; Mara passou a receber ameaças e teve que aumentar sua segurança. Mesmo diante das adversidades, sua determinação em construir políticas públicas para o bem-estar das mulheres nunca vacilou.
O Papel das Ouvintes e Reconhecimento
As ouvintes do Viva Maria, carinhosamente chamadas de "Marias" por Mara Régia, tornaram-se protagonistas de suas próprias histórias, contribuindo para a construção coletiva de um espaço de diálogo e apoio. O programa não só conquistou a confiança de milhares de mulheres, mas também recebeu mais de 30 prêmios nacionais e internacionais, reconhecendo sua importância na luta pelos direitos femininos.
Uma Missão de Vida
Para Mara Régia, o Viva Maria transcende a simples função de programa de rádio; é uma missão de vida. Sua paixão e dedicação são evidentes em iniciativas como a campanha para ajudar vítimas de escalpelamento no Amapá. A professora Rosinete Serrão, uma das beneficiadas, tornou-se uma voz ativa na mobilização de apoio, evidenciando como o programa pode transformar vidas.
Conclusão: A Continuidade da Luta
Após 45 anos, o Viva Maria permanece um símbolo de resistência e luta pelos direitos das mulheres no Brasil. Através de sua trajetória, o programa não apenas informa, mas empodera, conectando histórias e experiências de mulheres que buscam ser ouvidas e respeitadas em suas reivindicações. A história de Mara Régia e do Viva Maria continua viva, inspirando novas gerações a lutar por igualdade e justiça.