© Marcello Casal jr/Agência Brasil
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O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) executou pela segunda vez em 2026 um plano emergencial visando a contenção da geração de energia. A decisão, tomada em virtude do excesso de oferta no Sistema Interligado Nacional (SIN), foi implementada neste domingo (23), das 11h às 13h30.

Medidas e Impactos da Ação

Essa ação emergencial, que não afetará os consumidores finais, visa preservar a segurança do sistema elétrico, especialmente em um dia de menor consumo, típico dos fins de semana. O foco da medida é restringir a geração das usinas Tipo 3, que englobam pequenas centrais hidrelétricas, usinas a biomassa, além de empreendimentos eólicos e solares de menor porte.

Histórico de Acionamentos

O primeiro acionamento do plano emergencial em 2026 ocorreu em 7 de junho, durante o feriado prolongado de Corpus Christi, quando o ONS gerenciou 1 mil megawatts (MW) entre 10h e 14h. Esse tipo de intervenção se tornou necessário devido ao aumento da geração distribuída, com destaque para a energia solar, que apresentou uma representatividade significativa na demanda nacional em eventos anteriores.

Desafios da Geração Distribuída

No dia dos pais de agosto de 2025, por exemplo, o sistema quase enfrentou uma sobrecarga, já que a geração distribuída alcançou 37,6% da demanda total. Para evitar um possível blecaute em vários estados, o ONS teve que reduzir drasticamente a produção das hidrelétricas e termelétricas, cortando 98,5% da geração eólica e solar centralizada.

Inovações em Controle de Geração

Recentemente, o ONS anunciou o desenvolvimento do Esquema Regional de Alívio de Geração (Erag), um sistema automático que permitirá o desligamento de parte da geração distribuída em situações críticas, com capacidade de até 3 gigawatts (GW) divididos em três estágios de 1 GW. Este mecanismo será acionado apenas após o esgotamento das alternativas de controle disponíveis.

Perspectivas para Implementação

Um projeto-piloto deverá ser realizado até o fim de 2026 em uma distribuidora, com a possibilidade de expansão do sistema em 2027, caso os testes se mostrem eficazes. A geração distribuída, que abrange micro e minigeração, atualmente soma cerca de 50 GW de capacidade instalada, o que apresenta novos desafios operacionais para o ONS.

Orientações para Distribuidoras

A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) manifestou seu comprometimento em seguir as diretrizes do ONS para a execução do plano emergencial. Em nota, a entidade solicitou a definição de procedimentos mais claros para a implementação dos cortes, ressaltando a necessidade de critérios bem estabelecidos para garantir a segurança operacional e jurídica dos geradores.

Conclusão

Com as intervenções do ONS e a implementação de novas tecnologias para o controle da geração, o sistema elétrico brasileiro busca se adaptar aos crescentes desafios impostos pela geração distribuída. A transparência nas diretrizes e a colaboração entre os operadores e as distribuidoras serão fundamentais para garantir a estabilidade do sistema e a continuidade do fornecimento de energia.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br