© Matheus Zaza/Video Delivery
Compartilhe essa matéria

Recentemente, pesquisadores fizeram uma descoberta significativa ao localizar espécies de plantas que eram consideradas extintas há mais de 30 anos na região do Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais. Este achado, que surpreendeu a comunidade científica, destaca a importância da conservação e da pesquisa científica no Brasil.

O Projeto de Conservação e as Descobertas

As redescobertas ocorreram em áreas protegidas administradas pela Vale e são parte do Projeto de Conservação de Espécies Raras e Endêmicas do Quadrilátero Ferrífero, que envolve colaborações entre universidades, instituições de pesquisa e a própria Vale, dentro da Rede Propagar. Laís Zeferino, doutora em biologia vegetal e pesquisadora associada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), destaca a importância do trabalho de campo realizado para encontrar estas espécies.

Espécies Redescobertas e Sua Importância Ecológica

Dentre as espécies encontradas, estão a Paepalanthus magalhaesii e a Coracoralina amoena, ambas conhecidas popularmente como 'sempre-vivas' ou 'chuveirinho'. Essas plantas são características das serras mineiras e possuem flores que mantêm a aparência mesmo após secas. A geóloga Patrícia Favoreto Renci, da Rede Propagar, enfatiza que essas espécies são endêmicas da região e desempenham um papel crucial na biodiversidade local.

Características e Habitat das Plantas

A Paepalanthus magalhaesii é uma planta de pequeno porte, que se assemelha a um pompom e cresce rente ao solo. Por muitos anos, acreditou-se que ela havia desaparecido, mas foi redescoberta em áreas como Capanema e Capivari, entre cidades históricas como Itabirito e Ouro Preto. Já a Coracoralina amoena, uma das mais raras da região, habita ambientes específicos, com solo fino e alta exposição solar, onde a água é escassa durante grande parte do ano.

Impacto na Pesquisa e Conservação

Esses achados reforçam a ideia de que o Brasil é um dos países com maior biodiversidade do mundo. Laís Zeferino observa que ainda há muito a ser descoberto sobre a flora brasileira, sugerindo que novas espécies ainda podem ser identificadas por pesquisadores no futuro. Ela acredita que tais iniciativas podem não apenas reviver espécies conhecidas, mas também desvelar novas que permanecem não catalogadas.

Processo de Coleta e Estudos Genéticos

Todo o material coletado pelos pesquisadores foi enviado a laboratórios que fazem parte da Rede Propagar. Ana Cristina Amoroso, engenheira ambiental da Vale, explica que as amostras passarão por sequenciamento genético e serão utilizadas para a reprodução e reintegração das plantas ao seu habitat natural. Além disso, algumas amostras ficarão armazenadas em uma coleção de referência para estudos futuros.

Futuro da Conservação das Espécies

O objetivo de desenvolver métodos para a propagação dessas plantas é essencial, considerando que há uma escassez de informações sobre elas. Ana Cristina menciona que a partir do conhecimento gerado, uma série de estudos será iniciada, abrangendo desde aspectos genômicos até a produção de mudas. Essa abordagem visa não apenas a sobrevivência das espécies, mas também a conservação dos ecossistemas da região.

As descobertas no Quadrilátero Ferrífero não apenas renovam a esperança de preservação de espécies raras, mas também ressaltam a relevância da pesquisa científica na proteção da biodiversidade brasileira, indicando que a natureza ainda guarda muitos segredos a serem revelados.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br