© Tomaz Silva/Agência Brasil
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A carga de responsabilidades relacionadas ao cuidado de filhos, familiares e à manutenção do lar, que historicamente recai de forma desproporcional sobre as mulheres, é um dos principais fatores que as torna mais suscetíveis à violência de gênero. Essa análise é respaldada por especialistas que discutem a questão no contexto dos 20 anos da Lei Maria da Penha, legislação fundamental para a proteção das mulheres contra agressões domésticas e familiares.

Desigualdade na Distribuição de Tarefas Domésticas

O trabalho de cuidado, que abrange a atenção a familiares e a organização do lar, é intensificado pela dependência financeira, psicológica e emocional que muitas mulheres enfrentam. Thamires da Silva Ribeiro, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, enfatiza que a sobrecarga doméstica gera um ciclo vicioso que dificulta a autonomia das mulheres. Ela aponta que essas condições as mantêm em um espaço privado, onde o acesso a recursos e oportunidades é limitado, aumentando a vulnerabilidade a situações de violência.

Impacto das Desigualdades Raciais

A situação se torna ainda mais alarmante para mulheres negras, que enfrentam não apenas a sobrecarga do cuidado, mas também são afetadas por desigualdades sociais profundamente enraizadas na sociedade brasileira. Ribeiro destaca que essas mulheres são frequentemente vistas como responsáveis pelo sistema de cuidados, o que as torna ainda mais expostas a diversas formas de opressão e violência.

Dados Alarmantes sobre Violência de Gênero

Estatísticas sobre violência contra a mulher no Brasil reforçam essa problemática. Em 2025, o país registrou 1.571 feminicídios, representando um aumento de 4% em comparação ao ano anterior e uma média de mais de quatro mortes por dia. Além disso, houve 286,3 mil registros de agressões domésticas e 788,6 mil casos de ameaças, conforme dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

A Necessidade de Políticas de Cuidado

A Política Nacional de Cuidados, instituída pela Lei 5.069/2024, é vista como um passo positivo na promoção da corresponsabilização social entre homens e mulheres. Thamires Ribeiro acredita que a implementação de políticas que aliviem a sobrecarga feminina e garantam acesso à renda pode ajudar as mulheres a encontrar recursos e apoio para se afastar de relacionamentos abusivos.

Dependência e Ciclos de Violência

A dependência financeira é um dos fatores que impede mulheres de romperem com relacionamentos violentos. Marilha Boldt, advogada e professora, menciona que mesmo mulheres com altos rendimentos podem se sentir presas à administração financeira de seus parceiros, levando a uma dependência emocional que perpetua a situação. Essa dinâmica dificulta a percepção de suas próprias potencialidades e contribui para a continuidade do ciclo de abuso.

Conclusão

A sobrecarga doméstica e as desigualdades estruturais nas relações de gênero e raça são fatores que tornam as mulheres particularmente vulneráveis à violência. É crucial que sejam adotadas políticas públicas efetivas que promovam a igualdade de responsabilidades e ofereçam suporte às mulheres, permitindo-lhes acessar recursos e redes de apoio. Somente assim será possível enfrentar de maneira eficaz a violência de gênero e garantir um ambiente seguro para todas as mulheres.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br