No último sábado, 25 de julho, a 11ª Marcha das Mulheres Negras de São Paulo foi marcada por uma forte homenagem a Luana Barbosa, uma mulher lésbica, negra e periférica que foi brutalmente assassinada há dez anos. O evento, realizado na Praça Roosevelt, no coração da capital paulista, trouxe à tona a luta contínua por justiça e direitos das mulheres negras, evidenciando a falta de progresso na resolução de seu caso.
Lembrança e Luta por Justiça
A marcha atraiu centenas de participantes, incluindo ativistas, lideranças políticas, artistas e membros de movimentos sociais de diversas partes da cidade e até de regiões vizinhas. Juliana Gonçalves, cofundadora do evento, lembrou que, além do caso de Luana, muitas outras mulheres negras têm sido vítimas de violência, citando os recentes assassinatos de Ieda e Fabiana, que também pertenciam à comunidade LGBTQIA+.
Vozes da Comunidade e Ancestralidade
A cerimônia de abertura do evento contou com uma performance do coletivo Bando das Macuas, que homenageou a ancestralidade por meio da arte. Francine Moura, membro do grupo, explicou que a apresentação foi inspirada em um espetáculo anterior que reverenciava figuras ancestrais. Além disso, DJs animaram o público com músicas de rap e hip hop que abordavam temas de protesto e resistência.
Desafios e Demandas
A marcha também destacou a necessidade de visibilidade e proteção para a população negra, especialmente as mulheres que enfrentam discriminação e violência. Ìyalóde Marisa de Oya, uma das líderes presentes, enfatizou que a comunidade negra tem sido historicamente marginalizada e que é essencial garantir um espaço seguro e de fala dentro das esferas de poder. Ela criticou a falsa ideia de laicidade do país, que não se reflete nas experiências vividas por aqueles que praticam religiões de matriz africana.
Marchas em Todo o Brasil
Além da marcha em São Paulo, outras cidades brasileiras também realizaram eventos semelhantes no mesmo dia. Em Salvador, a caminhada reuniu apoiadores em uma demonstração de solidariedade e luta, enquanto no Recife, uma reunião foi realizada na sexta-feira (24), reforçando a importância da mobilização em diferentes regiões do país.
Conclusão: A Luta Continua
A 11ª Marcha das Mulheres Negras de São Paulo não apenas homenageou Luana Barbosa, mas também evidenciou a luta contínua por direitos, reparação e igualdade. Com um chamado à ação e uma demonstração de força coletiva, as participantes reafirmaram seu compromisso em lutar contra a violência e discriminação, unindo vozes para construir um futuro mais justo e igualitário para todas as mulheres.