© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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Em maio de 2026, a economia brasileira registrou um crescimento de 0,7% em relação ao mês anterior, segundo dados do Monitor do PIB, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). Este crescimento é parte de uma tendência otimista, com um aumento de 1,9% no trimestre móvel encerrado em maio, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Ao longo dos últimos 12 meses, a variação acumulada atingiu 1,7%, refletindo uma recuperação gradual após um período de estagnação.

Desempenho do Consumo das Famílias

O relatório da FGV destaca que o consumo das famílias foi um dos principais motores desse crescimento, apresentando um aumento de 3,3% no trimestre até maio, o maior desde o quarto trimestre de 2024. Este crescimento se deve, em grande parte, ao aumento no consumo de serviços e bens duráveis, que juntos representaram mais de 60% desse desempenho positivo. A economista Juliana Trece, responsável pela pesquisa, enfatiza que o consumo das famílias foi decisivo para o resultado, embora o cenário geral apresente alguns desafios.

Sinais de Desaceleração

Apesar do crescimento observado em maio, a análise de longo prazo sugere uma desaceleração. O indicador de 12 meses, que era de 3% em março, caiu para 1,7% em maio, refletindo uma diminuição na força do crescimento econômico. Além disso, o desempenho do setor agropecuário, que vinha em recuperação, enfrenta novos desafios, enquanto a indústria mostra sinais de estabilidade, mas com uma perda de vigor. A concentração do crescimento no consumo das famílias indica uma dependência crítica desse setor, uma vez que as exportações e os investimentos estão em queda.

Comportamento das Exportações e Importações

As exportações brasileiras cresceram 4,3%, embora esse aumento represente o menor índice desde o segundo trimestre de 2025. O desempenho do setor extrativo mineral, que havia mostrado crescimento robusto, agora apresenta uma desaceleração notável. Em contrapartida, as importações aumentaram 8,9%, marcando o terceiro trimestre consecutivo de alta. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede o investimento na economia, teve um crescimento de 2%, sinalizando uma recuperação após um período de retração.

Perspectivas Futuras

O Monitor do PIB é uma importante ferramenta para avaliar a saúde econômica do Brasil, complementando outros indicadores como o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que também apontou crescimento. O resultado oficial do PIB é divulgado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com a próxima atualização programada para setembro de 2026. As expectativas para o futuro são cautelosas, com o relatório Focus do Banco Central prevendo uma alta de 1,99% para o final de 2026 e o Ministério da Fazenda estimando uma variação de 2,3%.

Embora a economia brasileira tenha mostrado sinais de recuperação em maio, a dependência do consumo das famílias e a desaceleração em setores-chave exigem atenção. O cenário atual e as previsões futuras sugerem que, apesar do crescimento, é crucial monitorar os fatores que podem impactar a sustentabilidade desse desempenho econômico.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br