© Fernando Frazão/Agência Brasil
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Em um momento crucial na luta contra as mudanças climáticas, o conceito de 'carbono azul' emerge como um aliado vital, embora frequentemente negligenciado. No Dia Mundial dos Oceanos, celebrado em 8 de junho, especialistas ressaltam a importância dos ecossistemas marinhos no combate ao aquecimento global.

O que é Carbono Azul?

O termo 'carbono azul' refere-se ao dióxido de carbono (CO₂) que é capturado e armazenado em ambientes costeiros, como manguezais, marismas e pradarias marinhas. Essas regiões atuam como sumidouros de carbono, removendo o gás da atmosfera e, consequentemente, mitigando os efeitos do aquecimento global.

O Papel dos Oceanos na Regulação do Clima

De acordo com informações da SOS Oceano, os oceanos absorvem cerca de 30% das emissões globais de CO₂ e são responsáveis por mais da metade do oxigênio que consumimos. Embora a Amazônia seja frequentemente referida como o 'pulmão do mundo', os oceanos desempenham um papel igualmente significativo na regulação climática, complementando as funções das florestas tropicais.

A Riqueza dos Ecossistemas Costeiros

Os ecossistemas costeiros não apenas ajudam a capturar carbono, mas também oferecem abrigo a diversas espécies, sustentam a pesca artesanal e protegem as comunidades locais contra a erosão e os eventos climáticos extremos. Essa multifuncionalidade é essencial para a manutenção da biodiversidade e a segurança alimentar.

O Potencial do Brasil

O Brasil abriga o maior sistema contínuo de manguezais do planeta, localizado na costa amazônica. Essa condição privilegiada coloca o país na vanguarda das soluções baseadas na natureza para enfrentar a crise climática. Apesar disso, a atenção disponível para os oceanos ainda é inferior àquela dedicada a outros biomas, como a Amazônia e a Mata Atlântica.

Desafios e Oportunidades para Comunidades Tradicionais

O crescente interesse por iniciativas de carbono azul levanta questões sobre os direitos territoriais e a inclusão das comunidades tradicionais. Para que os projetos sejam eficazes e sustentáveis, é vital garantir que as pessoas que historicamente cuidam desses ecossistemas sejam respeitadas e beneficiadas.

A Conexão entre Protetores dos Oceanos e o Futuro

Proteger os oceanos é igualmente proteger empregos e modos de vida. Globalmente, a pesca gera milhões de empregos e contribui significativamente para a segurança alimentar. No Brasil, aproximadamente 1,7 milhão de pescadores artesanais dependem da saúde dos ecossistemas marinhos, enfatizando a necessidade de uma abordagem colaborativa entre o governo e organizações da sociedade civil.

Conclusão

A incorporação do carbono azul na agenda climática é essencial para o futuro dos oceanos e das comunidades que deles dependem. À medida que o mundo avança em direção a um desenvolvimento sustentável, é crucial reconhecer e valorizar a função dos ecossistemas marinhos na luta contra as mudanças climáticas, garantindo um legado saudável para as próximas gerações.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br