© Bruno Peres/Agência Brasil
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A pesquisa intitulada "Dos territórios indígenas às periferias: retratos da desinformação e do consumo de notícias no Brasil" revela que a dificuldade de acesso à internet e a conexão de baixa qualidade são barreiras significativas para a informação. O estudo, divulgado em 13 de setembro, foi realizado pela Coalizão de Mídias Periféricas, Faveladas, Quilombolas e Indígenas e entrevistou aproximadamente 1.500 pessoas em cidades como Santarém, Recife e São Paulo.

Desafios da Informação na Era Digital

Os resultados indicam que a falta de conectividade não apenas impede o acesso a notícias, mas também distancia as pessoas de mensagens importantes. A pesquisa sublinha a necessidade de um jornalismo que não apenas transmita informações, mas que também escute e construa junto à comunidade. Essa abordagem é essencial para fortalecer a relação entre os meios de comunicação e a população.

Percepções e Dificuldades nas Periferias

Além da questão da conectividade, cerca de 17% dos entrevistados nas periferias afirmaram ter dificuldade em identificar informações falsas. A falta de tempo, mencionada por 16% dos participantes, também contribui para a dificuldade em selecionar conteúdos confiáveis, especialmente entre aqueles com rotinas exaustivas, como muitas mulheres.

O Papel do Jornalismo Local

A pesquisa destaca o potencial do jornalismo local como uma fonte confiável de informação, uma vez que compreende as realidades dos territórios. Thais Siqueira, coordenadora do estudo, ressalta que a confiança do público é crucial para a disseminação de notícias precisas. Os dados mostram que a maioria dos entrevistados busca notícias principalmente para entender o que acontece em seus bairros, seguido pela necessidade de tomar decisões e compartilhar informações.

Diferenças Regionais na Consumo de Notícias

As diferenças regionais também influenciam o consumo de notícias. Em cidades como Recife e São Paulo, há uma maior diversidade nas plataformas utilizadas, incluindo sites de notícias e redes sociais. Por outro lado, em Santarém, o WhatsApp, a TV aberta e o rádio dominam o acesso à informação, evidenciando a importância das mídias tradicionais em áreas com menor acesso digital.

Estratégias de Combate à Desinformação

Embora os meios tradicionais sejam as fontes mais confiáveis, sua acessibilidade não garante o combate à desinformação. A pesquisa indica que conteúdos que respeitam saberes locais e promovem formas coletivas de construção do conhecimento têm maior aceitação. Para Thais, isso representa uma oportunidade para valorizar as dinâmicas locais e fortalecer a confiança nas informações.

Conclusão e Recomendações

O estudo propõe 16 recomendações para enfrentar a desinformação, incluindo a necessidade de reorganizar o sistema de comunicação e financiar iniciativas locais. Além disso, sugere a produção de conteúdos em formatos acessíveis, como áudio e vídeos curtos, para facilitar o acesso. A pesquisa foi realizada com a capacitação de comunicadores locais e envolveu a participação de diversas iniciativas de cinco estados brasileiros, reforçando a importância de um jornalismo que dialogue com a realidade das comunidades.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br