© Mohamed_hassan/Pixabay
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Um novo estudo realizado com cerca de 400 pacientes em Unidades Básicas de Saúde (UBS) revela que 60% dos adultos com asma apresentam comprometimento na função pulmonar devido ao uso de tratamentos desatualizados, como as bombinhas de resgate. O impacto é notável também entre crianças, onde o índice de função pulmonar reduzida alcança 33%.

Dados do Projeto CuidAR

A pesquisa, parte do Projeto CuidAR e conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em Porto Alegre (RS) em colaboração com o Ministério da Saúde, destaca que a maioria dos pacientes atendidos na Atenção Primária à Saúde (APS) está sendo tratada com medicamentos não recomendados. Isso gera um risco significativo de danos pulmonares a longo prazo.

Ineficiência dos Broncodilatadores

Os broncodilatadores de curta ação, frequentemente referidos como 'bombinhas de resgate', são utilizados como o único tratamento por mais da metade dos pacientes entrevistados. Contudo, conforme as diretrizes da Iniciativa Global para Asma (GINA), esses medicamentos apenas mascaram a inflamação, não oferecendo uma solução duradoura e aumentando a probabilidade de exacerbações graves.

Resultados do Estudo

O estudo do Projeto CuidAR revelou que, durante a espirometria — um teste que mede a capacidade pulmonar —, muitos adultos com função pulmonar reduzida não conseguiram reverter o dano mesmo após o uso dos broncodilatadores. O pneumologista pediátrico Paulo Pitrez, responsável pela pesquisa, enfatiza que tanto adultos quanto crianças apresentaram resultados insatisfatórios, sugerindo que o dano pulmonar em muitos casos pode ter se tornado irreversível.

Mudanças Necessárias no Tratamento

Atualmente, o tratamento ideal para asmáticos inclui a combinação de broncodilatadores de longa ação (LABA) com anti-inflamatórios de inalação. Entretanto, Pitrez ressalta que muitas UBSs ainda utilizam abordagens ultrapassadas que priorizam o alívio temporário da doença. Para ele, é crucial alterar essa realidade por meio da implementação de práticas preventivas e educativas, além de conscientizar a população sobre a gravidade da asma.

Impactos Sociais e Econômicos da Asma

O estudo também revela que a falta de tratamento adequado tem consequências diretas na vida cotidiana das pessoas com asma no Brasil, onde aproximadamente 20 milhões de indivíduos convivem com a condição. Nos últimos 12 meses, cerca de 60% dos entrevistados relataram perda de dias de trabalho ou estudo devido à doença, com índices ainda mais altos entre crianças e adolescentes, afetando sua aprendizagem e produtividade.

Propostas para Melhorar o Atendimento

Além de levantar dados preocupantes, a pesquisa sugere alternativas para reduzir as hospitalizações. Um aspecto inovador é a introdução de um dispositivo que mede o pico de fluxo expiratório, chamado de Peak Flow, que pode ser uma alternativa mais acessível à espirometria tradicional. Os pesquisadores argumentam que esse equipamento é fácil de usar e possui um custo significativamente menor em comparação aos testes convencionais.

Educação Continuada e Conscientização

O Projeto CuidAR também visa transformar o panorama do atendimento nas UBSs por meio da educação continuada para os profissionais de saúde, buscando garantir que os pacientes recebam o tratamento adequado e eficaz para sua condição.

Em um contexto onde a mortalidade por asma no Brasil tem aumentado, com uma média de seis óbitos diários, a necessidade de uma abordagem mais eficaz e informada se torna ainda mais urgente. A mudança de paradigma no tratamento da asma é essencial para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br