© Geraldo Magela/Agência Senado
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O cenário de segurança pública no Rio de Janeiro pode estar à beira de uma intervenção federal. O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), apresentou nesta terça-feira (14) um relatório final que recomenda a decretação de intervenção federal no estado. A proposta, encaminhada ao presidente da República, surge como resposta a um quadro que, segundo o senador, transcende os problemas convencionais de segurança, atingindo o âmago da soberania estatal e a integridade das instituições públicas frente à infiltração do crime organizado.

Justificativa para a Intervenção Federal

Alessandro Vieira fundamenta sua recomendação na alegação de que a infiltração sistêmica do crime organizado nas esferas de poder estaduais compromete a capacidade do Rio de Janeiro de conduzir ações de enfrentamento de forma autônoma e idônea. Essa situação, descrita como um comprometimento estrutural da soberania estatal sobre vastas áreas de seu território, exige, na visão do relator, uma resposta extraordinária. A intervenção federal, caso concretizada, seria direcionada especificamente ao setor de segurança pública, com caráter de recomendação, dependendo de decisão presidencial e aprovação posterior do Congresso Nacional.

A Complexidade do Cenário Criminal Carioca

O relatório destaca a singularidade do Rio de Janeiro no panorama nacional, sendo o único estado a concentrar três importantes facções criminosas com origem no sistema prisional: o Comando Vermelho, o Terceiro Comando Puro, e as milícias armadas de origem paraestatal, que também se expandiram para a exploração do tráfico de drogas. Essa configuração dual, de facções e milícias, gera dinâmicas complexas e distintas, sem paralelo em outras regiões do país, demandando, consequentemente, uma resposta estatal de magnitude equivalente. Milhões de brasileiros vivem, sob essa conjuntura, sob o domínio de organizações criminosas, com o Estado falhando em garantir direitos fundamentais como vida, propriedade, liberdade de locomoção, acesso a serviços públicos e participação democrática.

Lições do Passado e Críticas à Intervenção Anterior

Ao analisar a viabilidade e a necessidade de uma intervenção federal, o senador Vieira também teceu críticas à experiência anterior, decretada em fevereiro de 2018 durante o governo Michel Temer. Segundo ele, os resultados dessa intervenção foram limitados, principalmente devido à ausência de ações integradas em outras áreas cruciais, como políticas sociais, urbanização e combate à lavagem de dinheiro. Além disso, o prazo considerado excessivamente curto impediu a consolidação das medidas implementadas, servindo como um alerta para a elaboração de uma nova proposta.

Extensão do Relatório: Sugestões de Indiciamento

O relatório da CPI do Crime Organizado vai além da recomendação de intervenção federal. O documento também solicita o indiciamento de figuras proeminentes do Judiciário e do Ministério Público. Estão na mira do relator os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. A justificativa para tais pedidos reside em supostos indícios de crimes de responsabilidade relacionados ao caso do Banco Master, com alegações de proferir julgamentos em que há suspeição e de condutas incompatíveis com a honra, dignidade e decoro das funções.

Próximos Passos e Manifestação Pendente

Para que as propostas contidas no relatório de Alessandro Vieira se tornem efetivas, elas ainda precisam ser submetidas à aprovação da própria CPI do Crime Organizado. A comissão tem sessão agendada para a tarde desta terça-feira (14), onde poderá pedir vistas do texto, adiando a decisão. Paralelamente, a Agência Brasil buscou manifestação do governo do Estado do Rio de Janeiro sobre as recomendações, mas aguarda um posicionamento oficial.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br