Agência Brasil
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Produtores rurais do Rio Grande do Sul estão em estado de alerta devido a uma alegada escassez de óleo diesel, um insumo crucial que, se não normalizado, poderá comprometer seriamente a colheita da safra de verão. A situação é particularmente grave por ocorrer no auge da temporada de colheita, impactando culturas vitais para a economia gaúcha e nacional, como a soja e o arroz.

Alerta da Farsul e a Urgência da Colheita

A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) emitiu um comunicado veemente, por meio de suas redes sociais, no último sábado (7), expressando profunda preocupação. A entidade reporta que reclamações recorrentes de produtores indicam falhas na entrega de combustíveis pelos Transportadores Revendedores Retalhistas (TRRs) nas últimas 48 horas, com a expectativa de que o serviço não seria normalizado ao longo do final de semana. Os TRRs, empresas autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), são responsáveis por adquirir e distribuir combustíveis a granel diretamente às propriedades rurais, incluindo armazenamento, transporte, controle de qualidade e assistência técnica.

Este cenário de interrupção no fornecimento se mostra crítico no momento mais decisivo da safra de verão, que envolve principalmente a colheita de soja e arroz. O Rio Grande do Sul detém a liderança na produção nacional de arroz, sendo responsável por aproximadamente 70% da oferta do grão no país, o que sublinha a dimensão do potencial impacto da crise do diesel.

Impactos Econômicos e Exposição Climática

A gravidade da situação, conforme ressaltado pela Farsul, reside nos múltiplos riscos que a paralisação impõe. O atraso nos trabalhos de colheita não apenas eleva os custos operacionais para os agricultores, mas também deixa as lavouras mais vulneráveis a intempéries climáticas. O estado já enfrenta um histórico de perdas volumosas em decorrência de eventos climáticos adversos, e uma nova frustração de safra por falta de diesel agravaria significativamente o prejuízo acumulado, reverberando negativamente em toda a economia gaúcha. Segundo informações obtidas pela Farsul junto aos TRRs, a raiz do problema seria a suspensão da distribuição de diesel pelas refinarias, sem aviso prévio ou justificativa formal.

Monitoramento da ANP e Contrapontos Oficiais

Em resposta ao quadro, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou, por meio de nota, que está monitorando a situação desde que recebeu as primeiras notícias sobre "dificuldades pontuais" na aquisição de diesel por produtores rurais. A agência destaca que suas apurações técnicas indicam que o Rio Grande do Sul possui estoques de combustível em níveis suficientes para garantir o abastecimento regular, e que a produção e entrega do diesel pelo principal fornecedor da região seguem um ritmo normalizado.

Para esclarecer as divergências, a ANP comunicou que está formalmente notificando as distribuidoras para que prestem informações detalhadas sobre seus volumes em estoque, os pedidos recebidos dos TRRs e quais foram efetivamente aceitos e atendidos. A agência reforçou que o Rio Grande do Sul é um estado superavitário na produção de diesel, ou seja, produz mais do que consome, e não foram constatadas justificativas técnicas ou operacionais que pudessem explicar uma eventual recusa no fornecimento do produto. Além disso, a ANP alertou que possíveis aumentos injustificados de preços no estado serão objeto de investigação conjunta com órgãos de defesa do consumidor.

Petrobras Assegura Regularidade nas Entregas

Corroborando a posição da ANP, a Petrobras, principal fornecedora do combustível no país, foi procurada pela Agência Brasil e se pronunciou oficialmente. A estatal assegurou que "não houve qualquer alteração em relação às entregas de diesel por parte de suas refinarias e que elas estão ocorrendo conforme o planejado". Em sua nota, a Petrobras fez questão de salientar que as entregas de diesel destinadas ao Rio Grande do Sul estão sendo realizadas dentro do volume previamente programado, contradizendo as alegações de suspensão no fornecimento que teriam partido das refinarias.

Conclusão: Cenário de Incerteza para o Agronegócio Gaúcho

A situação no Rio Grande do Sul desenha um quadro de incerteza, com os alertas da Farsul sobre a falta de diesel confrontando as garantias de normalidade dadas pela ANP e Petrobras. Enquanto os produtores rurais clamam por solução imediata para não comprometer a safra crucial de verão, os órgãos reguladores e as distribuidoras se posicionam pela existência de estoques adequados e fluxos de entrega regulares. O desenrolar dessa crise de abastecimento será determinante para a colheita em andamento e para a economia gaúcha, que já se mostra fragilizada por desafios climáticos anteriores. A atenção das autoridades e a transparência nas informações serão essenciais para desmistificar o problema e garantir a segurança do abastecimento de um setor tão vital.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br