Entidades ligadas ao jornalismo expressaram repúdio a um episódio de violência contra a jornalista Manuela Borges, do Portal ICL Notícias, que ocorreu no Salão Verde da Câmara dos Deputados, em Brasília. O fato aconteceu na tarde de terça-feira e foi denunciado em nota nesta quarta-feira.
Violência e repúdio
O episódio foi considerado "inaceitável e absurdo" pelas entidades, que apontaram a ocorrência de "grave violência" e "coação" profissional. A jornalista estava exercendo suas funções dentro da Casa legislativa quando foi cercada e intimidada por cerca de 20 servidores de gabinetes parlamentares.
As violências aconteceram após Manuela questionar parlamentares do Partido Liberal sobre a instalação de outdoors no Distrito Federal com imagens da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e da deputada federal Bia Kicis.
Cobertura e hostilidade
A jornalista cobria uma entrevista à imprensa de parlamentares opositores ao governo, quando foi hostilizada. Segundo relatos, simpatizantes dos políticos se aproximaram muito, colocando celulares perto de seu rosto e proferindo gritos intimidadores.
Violência de gênero e liberdade de imprensa
As entidades destacaram que o cerco agressivo contra uma mulher jornalista busca silenciar questionamentos e fragilizar a presença feminina em espaços de poder. A liberdade de imprensa foi ressaltada como pilar democrático, que não deve ser cerceado por métodos de coação física e psicológica.
Responsabilização e apuração
Os representantes dos profissionais pediram à presidência da Câmara dos Deputados uma apuração rigorosa do caso e a responsabilização dos envolvidos na violência contra a jornalista. Além disso, solicitaram medidas de segurança para garantir o livre exercício da profissão por jornalistas no Congresso Nacional.
Apesar do episódio, Manuela Borges afirmou que não se intimidará e continuará sua cobertura na Câmara dos Deputados normalmente. A reportagem buscou posicionamento do Partido Liberal e da presidência da Câmara, que ainda não se manifestaram.