A Avenida John Boyd Dunlop lidera como via com mais acidentes fatais em Campinas, segundo dados da plataforma Infosiga do Detran-SP. Em 2025, ficou em primeiro lugar na lista pelo sexto ano consecutivo. Mas o que acontece ao longo dos 15 quilômetros da via?
Professores da Unicamp analisam a situação
Para responder a essa pergunta, dois professores da Unicamp percorreram a avenida a convite da equipe de reportagem da EPTV, afiliada da TV Globo. Eles observaram o comportamento dos motoristas e as condições da via na prática.
O principal fator de risco identificado foi o excesso de velocidade, especialmente fora dos pontos com fiscalização eletrônica. Além disso, o grande número de cruzamentos ao longo da avenida contribui para o aumento dos conflitos entre veículos, motos e pedestres.
Excesso de velocidade e seus riscos
Durante o monitoramento, cerca de 10% dos veículos estavam acima do limite de 50 km/h. Em alguns trechos, a média de velocidade antes dos radares chegou a 70 km/h. Os professores destacaram o fenômeno do 'repique de velocidade', onde os motoristas aceleram após passar pelos radares.
Segundo especialistas, ultrapassar o limite de velocidade pode ter consequências graves, com potencial de tornar colisões acima de 50 km/h fatais em mais de 90% dos casos, especialmente envolvendo pedestres e motociclistas.
Desafios dos cruzamentos
A John Boyd Dunlop é a avenida mais longa de Campinas, com aproximadamente 60 mil veículos circulando por dia. O grande número de cruzamentos ao longo da via é apontado como um dos fatores que contribuem para os conflitos entre diferentes tipos de transporte.
Apesar da sinalização adequada e da presença de radares em quantidade considerada suficiente, os professores destacaram que o problema reside mais no comportamento dos motoristas do que na estrutura da via.
Ranking de acidentes e intervenções da Emdec
Desde 2019, a John Boyd Dunlop lidera o ranking de acidentes, com 460 ocorrências registradas. A Emdec aponta que a extensão da via, com 15 km e 47 cruzamentos, contribui para esses números. A empresa tem realizado intervenções de geometria em pontos críticos e remanejado radares como medidas para tentar reduzir os acidentes.
Após a implementação dos Corredores BRT, o fluxo de veículos na avenida aumentou. A Emdec destaca a redução de 24% nas mortes em um raio de 100 metros dos novos equipamentos de fiscalização, mostrando a eficácia das intervenções realizadas.
Fonte: https://g1.globo.com