Em meio à retomada do cinema nacional e ao reposicionamento do Brasil no contexto geopolítico global, o audiovisual brasileiro ganha destaque na agenda internacional do país. A missão oficial do governo brasileiro à Índia e à Coreia do Sul, como parte da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conta pela primeira vez com uma delegação da cadeia produtiva do audiovisual e da economia criativa, organizada pela Federação da Indústria e Comércio do Audiovisual Brasileiro (FICA).
Expansão e Diversificação de Mercados
A presidente da FICA, Walkíria Barbosa, destaca que a missão busca aproximar mercados, diversificar formas de financiamento e ampliar a exportação do conteúdo nacional para Índia e Coreia do Sul, dois importantes mercados globais do audiovisual e da economia criativa. A criação da federação em 2026 reflete um momento crucial, em que o audiovisual passou a ser um vetor de desenvolvimento econômico, tecnológico e diplomático, contribuindo para a política industrial, geração de empregos qualificados e inserção internacional estruturada.
Impacto Econômico e Reconhecimento Internacional
Estudos recentes indicam que a indústria audiovisual brasileira teve um impacto significativo na economia do país, gerando R$ 70,2 bilhões ao PIB em 2024, sustentando mais de 600 mil empregos diretos e indiretos, além de arrecadar cerca de R$ 9,9 bilhões em tributos. O cinema brasileiro tem se destacado internacionalmente, com vitórias no Oscar e indicações que reforçam a percepção do Brasil como um polo criativo competitivo.
Cooperação e Estratégia
A missão inclui a apresentação do mercado audiovisual brasileiro, oportunidades de coprodução e distribuição, modelos de financiamento bilaterais e multilaterais, além da troca de tecnologia e conhecimento. A estratégia se inspira em experiências como a 'onda coreana', que transformou a Coreia do Sul em potência cultural global. Índia e Coreia possuem cadeias produtivas sólidas que conectam diferentes setores à diplomacia e expansão econômica, servindo de modelo para o Brasil.
Investimento e Parcerias
Os Fundos de Investimento em Participações (Funcines) têm destaque na agenda, pois permitem a participação do capital privado no audiovisual, com incentivos fiscais e segurança jurídica. Esses mecanismos favorecem o financiamento estruturado, reduzem riscos e atraem investimentos estrangeiros, incluindo de empresas asiáticas interessadas em coproduções e parcerias estratégicas.
A missão oficial brasileira também coincide com a participação do país na Cúpula de Inteligência Artificial realizada na Índia, reunindo líderes de 20 países e sendo organizada pela primeira vez por uma nação em desenvolvimento.